Michael Jackson nunca esteve no Irã, ou pelo menos não achei nenhuma informação de tal visita, mas o rei do Pop foi a peça fundamental nas eleições daquele país. No dia seguinte ao anúncio do resultado, milhares de iranianos foras às ruas em protesto contra uma eleição presidencial que foi considerada ilegal por organizações internacionais.

Com o passar dos dias, a pressão aumentou e milhões de iranianos foram as ruas com sede de liberdade e democracia. Twitter, Facebook e Youtube foram as ferramentas usadas para divulgar as repressões sofridas pelos iranianos que recusavam a se calar. Mesmo quando o governo iraniano bloqueou acesso a estes sites, militantes pelo mundo abriram o acesso ao seu hp do twitter, facebook, etc, para que a voz dos iranianos não fosse calada. Mas nenhum deles esperava o que viria seguir e mudaria o rumo da história: a morte do rei do Pop.

De uma mídia e audiência interessada no sofrimento de um povo a uma cobertura sensacionalista que discutia 24 horas as excentricidades do cantor. Usuários do Twitter já não escreviam mensagens de apoio aos iranianos, o assunto novo era moonwalk. A rede de TV CNN chegou a transmitir uma reportagem de cinco minutos sobre o paradeiro do cadáver do cantor.

Nem a morte mártir de uma iraniana durante os conflitos naquele país, assistida por milhões de pessoas no Youtube, foi suficiente para manter a nossa atenção no assunto. Irã era notícia morta, as pauta eram, melhor dizendo ainda são, os excêntricos filhos do cantor, o cemitério onde o corpo será levado, a fortuna e as dívidas de Michael Jackson.


Vagarosamente, o governo iraniano foi repreendendo os protestos e declarou Mahmoud Ahmadinejad presidente eleito. Para os iranianos não restou nem a oportunidade de celebrar a obra de Michael Jackson. Em terras iranianas, o rei é diabo.