Nao surpresa eu abri o New York Times de hoje e me deparei com o editorial entitulado “Barack Obama para presidente”. O jornal declarou seu apoio ao candidato democrata afirmando que ele “enfrentou desafio apos desafio, crescendo como um lider e dando um verdadeiro sentido as suas promessas iniciais de esperanca e mudanca”.

Depois de oito anos de uma politica falida de Bush/Cheney que levou o pais a duas guerras nada populares, danificou a imagem do pais internacionalmente, se mostrou incapaz de oferecer aos seus cidadaos direitos basicos como atendimento medico ou mesmo proteger suas casas e trabalhos e, o mais recente, uma crise financeira que era evitavel, a escolha do novo presidente nao deveria ser um trabalho arduo. Yes, we can!

E o texto vai alem, dissecando as propostas de ambos os candidatos e uma analise do que de novo eles realmente poderao trazer a mesa. Eu, como uma grande entusiasta de Obama, adorei ler um texto que exaltava as suas qualidades e minava o conservadorismo de McCain. Mas, pode um veiculo de informacao escolher um candidato? Apoiar nao interfere na cobertura da campanha? Quando se apoia diretamente um candidato é quando finalmente a impressa assume a sua parcialidade? Ou sera que existe neutralidade dentro do parcial?

De fato o texto nao e uma materia, e um editorial. Mas quando se trata de um assunto de interesse geral, pode um meio de comunicacao exprimir a sua voz? Tambem nao somos ingenuos e sabemos que nas entrelinhas a midia sempre traz a sua opiniao seja carregada nas imagens, no tom da escrita ou do locutor, na escolha das imagens e, claramente, nos a percebemos. Mas qual seria a reacao dos nova-iorquinos se o jornal trouxesse um editorial de apoio a McCain?

Talvez a imparcialidade so seja aceitavel quando nos convem, alias o New York Times tem um slogan um tanto dubio: “All the news that’s fit to print”, em uma traducao literal, “toda a noticia digna de ser impressa”